O estado de emergência climática é um fato consolidado. A tragédia no Rio Grande do Sul, que afetou mais de 2 milhões de pessoas, é um exemplo doloroso desta realidade. Mas, mesmo com esses acontecimentos, a pauta ainda não é prioridade máxima nos governos municipais que estão com mandato no ciclo 2025-2028. Mas, ainda é tempo de mudar a rota! E ainda no decorrer dos primeiros 100 dias de governo. Pensando nisso, trouxemos algumas dicas e caminhos para as novas gestões municipais.
O ponto principal é incluir medidas de adaptação e mitigação no planejamento estratégico. Já na análise da situação do município, o(a) gestor(a) pode fazer as seguintes perguntas: como as chuvas extremas, calor intenso e viroses afetaram nossa região nos últimos anos? Quem foram os mais afetados? Essa pergunta do “quem” é importante pois impactos são diferentes de acordo com perfil populacional, dado que temos desigualdades históricas que ainda não foram reparadas.
Em uma pesquisa realizada no RS pelo Datafolha e publicada na Folha de São Paulo em 2024, 47% das famílias que ganham até 2 salários mínimos responderam ter perdido casa, móveis ou a própria forma de trabalho durante as inundações. Esse número cai para 13% entre aquelas que ganham de 5 a 10 salários. A mesma realidade se aplica quando analisamos por cor: 52% de pessoas pretas responderam que tiveram prejuízos, em comparação com 26% dos brancos. Por isso é importante fazer o diagnóstico situacional do município com olhar sensível para os marcadores sociais.
Depois de um bom mapeamento, a próxima etapa é planejar as metas e ações da gestão que vão atacar estes problemas. Usando o exemplo da infraestrutura, que costumeiramente é pauta prioritária dos governos municipais, podemos pensar: como prevenir o município de desastres futuros? A resposta é objetiva: adaptação! Desenvolver e/ou aprimorar sistemas de alerta preventivo; tornar a cidade mais permeável, com sistemas de absorção da água das chuvas; investir em reflorestamento de áreas desmatadas de encostas; fazer obras de escoamento de água fluviais e reforço estrutural em regiões íngremes que estão degradadas são alguns exemplos de ações. Tudo isso é possível usando recursos sustentáveis e soluções baseadas na natureza.
Com tudo isso, para realizar este importante trabalho, é preciso ter pessoas e organizações comprometidas com a agenda ambiental e climática na estrutura de governo. Também é vital ter representatividade nos cargos de gestão, garantindo que a diversidade de vivências e corpos estejam pautando a gestão “por dentro”. E claro, ouvir a população – principalmente a que é mais afetada.
Mas como colocar tudo isso nos trilhos? A saída está na boa gestão e na participação social. E foi para acelerar esse processo de transformação que a Dendezê surgiu. Acreditamos que é possível criar políticas climáticas integradas com o maior número de áreas possível, como infraestrutura, saúde, educação e desenvolvimento econômico. Somos aliados na construção de um futuro possível para os municípios, como foco na justiça climática.